Auto Estima

Ao proclamar o mandamento do amor, Jesus disse que este consiste em amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo (MC 12, 28-34), estabelecendo desta maneira que o amor a si mesmo devia constituir não somente a medida, mas também o requisito prévio e uma das fontes principais do amor aos outros. É muito conhecido o adágio popular de que “ninguém dá o
que não tem”, o qual reafirma a necessidade pessoal de desenvolver uma estima própria adequada, sem a qual a pessoa se veria impossibilitada de vivenciar um amor que transcenda os outros.



1ª - Auto Imagem - 



Consiste na capacidade de ver-se a si mesmo, não melhor nem pior, mas como a pessoa realmente é. De se ver no plano pessoal de maneira realista, tanto no que constitui a imagem atual de si mesmo como no que tange a imagem potencial do que se pode vir a ser.

A falta de clareza no conhecimento de si mesmo é uma das principais características das pessoas que possuem senso inadequado de auto-estima. O maior problema nesta área é, por conseguinte, o auto-engano, que se pode caracterizar por uma visão de inferioridade, ou de superioridade, que impede a pessoa, em qualquer das duas alternativas, de fazer-se uma imagem realista das próprias qualidades e defeitos.

As metas que se precisam alcançar, no que se refere à auto-imagem, consistem em buscar um conhecimento de si mesmo que permita ao indivíduo crescer na capacidade de perceber equilibradamente os elementos positivos ou negativos da própria personalidade. 

O que se pode conseguir por meios muito diversos como a análise da história pessoal ou das reações particulares a determinados acontecimentos, a realização de provas ou testes psicológicos, a leitura de livros de psicologia prática para aplicá-los à própria vida, o diálogo com pessoas que nos querem e nos conhecem bem etc.

Já se enfatizava, sob perspectiva judeu-cristã, na narrativa do Gênesis, que o ser humano, mulher e homem, foi criado à imagem e semelhança de Deus (Gn 1,27). O que envolve, para os que têm fé, a convicção de que a imagem que cada pessoa projeta de si mesma reflete de certa forma os traços de seu criador. 

De forma semelhante ao que acontece quando o filho descobre com orgulho na própria imagem certos traços herdados de um de seus progenitores. E mais, afirma-se na Bíblia que Deus nos conhece melhor que nós nos conhecemos a nós mesmos (1 Cor 13,12), tanto no que já somos como no que podemos vir a ser. 

Por isso busca o Senhor, em seu grande amor que toda pessoa se possa ver com a clareza com ele a vê, o que é o principal fundamento para que também venha a amar-se como ele a ama. Em outras palavras, assim como Deus nos convida primeiro a conhecê-lo para poder amá-lo, assim também devemos passar pelo autoconhecimento para alcançar a verdadeira auto-estima.

2ª - Auto Valorização
Consiste em prezar-se como pessoa importante para si e para os outros. Confiança no direito que temos de triunfarmos e sermos felizes.

O problema que em geral têm pessoas dotadas de baixa auto-estima pessoal, é o da autodesvalorização, associada amiúde a sentimentos de auto-rejeição e indignidade pessoal, o que afeta gravemente sua capacidade de avaliar devidamente o significado positivo de suas vidas.

As metas de superação na área da autovalorização consistem em definir meios oportunos que satisfaçam à necessidade de a pessoa ver-se positivamente dando maior valor e atenção às dimensões de sua personalidade que são realmente importantes tanto para si como para os outros.

O que se pode conseguir, usando vários meios, como buscar a fonte principal de autovalorização em Deus, cultivar relações em que a pessoa se sinta apreciada e reconhecida, ou estimular-se a si mesma com pensamentos e condutas que a reafirmem em seu verdadeiro valor.

Neste sentido, e visto sob a perspectiva cristã, os que crêem em Jesus Cristo, o Deus encarnado que dá a vida para salvar os homens, só podem saber que são infinitamente valiosos.

 O próprio Deus, que ao ser humano conferiu vida imortal, vem a este mundo para garantir-lhe meios de eterna salvação. De sorte que, se Deus toma a iniciativa gratuita – não obstante a nossa grande indignidade – de morrer pelos que ama, quão valiosa deveria sentir-se cada pessoa por saber que é amada com tão grande amor (Cf Rm 5,6-11).

3º Autoconfiança 
É a crença de que a gente pode fazer muitas coisas diversas e sentir-se seguro ao fazê-las. Crer em mim mesmo.

Reflete-se a situação de falta de confiança com muita freqüência nas pessoas dotadas de pobre auto-estima, que se mostram habitualmente inseguras e ansiosas na maneira de se comportarem. 

Conceitua-se o problema nesta área como insegurança pessoal, unida a sentimentos de incapacidade e impotência que repercutem em reações de ansiedade, dúvida e aflição, diante de boa quantidade das coisas que empreendem.

As metas de superação individual consistem no que se referem à autoconfiança, em propiciar atitude realista de crença em si mesmo e nas próprias capacidades pessoais, acompanhada da disposição de exercitá-las de maneiras adequadas para nestas crescer paulatinamente e satisfatoriamente. 

Será possível consegui-lo ainda melhor quando gozam as pessoas da confiança de outros num processo apropriado de aprendizagem, quando gostam do que fazem e aprendem com os próprios erros, e quando se dispõem a continuar tentando até desenvolver competência adequada nas áreas de maior interesse e capacidade pessoais.

Nesta linha, torna-se patente na Bíblia a forma como Deus deposita sua confiança no homem, dele fazendo co-criador e entregando-lhe a terra para governar (Gn 1,28). Igualmente, Jesus Cristo, o Filho de Deus, funda a sua Igreja deixando-a nas mãos de seus discípulos, convidando-os a ser com ele co-redentores na obra da salvação do mundo (Mt 28,16-20). 

Evidentemente, Deus confia no homem e, muito embora o ser humano tenha falhado muitas vezes em suas tentativas de governar a terra e estender o Reino de Deus, Ele continua respeitando sua liberdade e autonomia, animando-o a seguir adiante. 

Como o pai ou a mãe ajudam os filhos a aprender a caminhar, e estimulam-nos a continuar tentando apesar das quedas até adquirirem pouco a pouco confiança e habilidade para fazê-lo de maneira oportuna, assim também Deus acredita em cada um de seus filhos, não obstante erros e pecados, e convida-os a levar a vida com confiança e segurança, segundo a vocação particular de cada um.

4º - Autocontrole
Consiste em manejar-se corretamente no plano pessoal, cuidando-se e organizando-se bem na vida.

Esta capacidade de autocontrole positivo vê-se amiúde limitada em pessoas dotadas de baixa auto-estima. O principal problema manifesta-se, nestes casos, numa situação de descontrole geral em diversas áreas; ainda que seja muitas vezes observável no âmbito de cuidado de si mesmo, onde tende a dar-se qualquer dos dois extremos, quer o autodescuido, quer o supercuidado, no plano pessoal. 

O descontrole pode-se refletir também em outras áreas como a dificuldade no manejo emocional, nas relações interpessoais de tipo conflitivos, nos hábitos indisciplinados de vida e trabalho, ou na falta de aptidão a organizar-se em vista das metas desejadas.

Tendo em vista a necessidade de aprender um autocontrole sadio como expressão da auto-estima, o comportamento que se deve adotar é a busca de destrezas adequadas de cuidado pessoal e padrões de conduta caracterizados por boa disciplina e organização na vida. 

Os meios para consegui-lo envolvem seguir modelos oportunos no bom manejo pessoal, aprender técnicas e autocuidado, disciplina e organização, e instaurar hábitos positivos – e superar hábitos negativos – que possibilitem a plena manifestação e realização da pessoa em todo o seu potencial para conduzir-se satisfatoriamente na vida.

Quando São Paulo se refere na Carta aos Gálatas às qualidades que refletem o fruto do Espírito Santo na vida dos fiéis, entre elas ressalta o domínio de si (Gl 5,23), que se poderia definir como governo de si para fazer sempre a vontade de Deus. 

Neste sentido, o mesmo Espírito Santo que “pairava sobre as águas” na narrativa do Gênesis, que foi criando tudo no universo de maneira ordenada e frutífera, derrama-se também sobre a igreja em pentecostes para que possam os cristãos autênticos levar vida igualmente ordenada e produtiva a serviço de Deus na história. 

Pode-se entender então o autocontrole, no plano natural e sobrenatural, como uma das manifestações externas dos que possuem imagem correta de si mesmos, dos que se valorizam e confiam em suas capacidades, pois sabem-se dignos de amor da parte de Deus, dos outros e de si mesmos.

5º Auto-Afirmação
Consiste na liberdade de ser a pessoa ela mesma e poder tomar decisões para conduzir-se com autonomia e maturidade. 

Capacidade do indivíduo manifestar-se abertamente na hora de expressar seus pensamentos, desejos e habilidades.

Muitas vezes, porém, estes tipos de condutas afirmativas se vêem inibidas nas pessoas dotadas de baixa auto-estima. Elas antes experimentam o problema da autoanulação que se reflete na incapacidade de se manifestarem com liberdade. Não ousam a manifestarem-se como são, nem tampouco podem agir ou expressar-se de maneira congruente com o que na realidade pensa e sente. 

E mais, a falta de auto-afirmação acarreta excessiva dependência dos outros quando se devem tomar decisões pessoais ou executar autonomamente diversas atividades.

As metas de superação da área da auto-afirmação consistem em buscar formas saudáveis de manifestar o pensamento e habilidades pessoais perante os outros, e em conduzir-se com autonomia sem cair nos extremos opostos da superdependência ou da auto-suficiência excessiva. 

Isso porque no mundo moderno, para nos adaptarmos a este ambiente, para o enfrentarmos oportunamente, temos maior necessidade de autonomia pessoal, porque não existe código amplamente aceito de regras e rituais que nos poupe o desafio de tomarmos decisões individuais.

 O que envolve saber expor-se, a correr riscos sensatos visando amadurecer na vida; ousar tomar decisões e assumir suas conseqüências; e crescer na capacidade de afirmar a própria personalidade, aceitando tanto os acertos como os erros, pois de uns e de outros aprendemos a ser melhores na vida.

Encontramos, ao longo da história bíblica e eclesial, toda uma série de exemplos de sadia auto-afirmação como sinal de maturidade na vida de mulheres e homens que souberam responder ao apelo de Deus apoiando-se nele e dando o melhor de si para realizarem a missão que lhes foi confiada. 

Encontraram em Deus a fonte da própria identidade e estima pessoal, e hoje são reconhecidos como santos e dignos de imitação por suas virtudes e entrega ao Senhor. 
O próprio Jesus Cristo não guardou para si o que o Pai lhe pedira manifestar aos homens, mas desgastou-se pregando a boa nova, curando enfermos, formando seus discípulos etc. Veio ele ao mundo para revelar-lhe o amor de Deus e levou cabalmente a termo sua missão mesmo na hora do sacrifício supremo (Jo 12,28).

Humildemente afirmou ser o Messias prometido (Jo 4,26 e 9,37) e comportou-se como tal. Os cristãos de todas as épocas, a exemplo de Jesus e de seus santos, também buscam se afirmar em sua vocação pessoal e expressar, de acordo com a própria personalidade, a face de Deus perante o mundo. Fazem-no cada santo e cada comunidade cristã de maneiras diversas, se bem que a um só tempo semelhantes. Todos manifestam sua liberdade no amor e, unidos na diversidade, são para o mundo o Corpo de Cristo.


6º Auto Realização
Consiste em desenvolver e expressar adequadamente as capacidades próprias para levar uma vida satisfatória que seja proveitosa para si e para os outros. A verdadeira realização pessoal envolve a entrega do melhor de si ao projeto que se propôs na sua existência, gerando e transmitindo vida a outros para que assim se enriqueçam.
Queixam-se continuamente as pessoas dotadas de baixa auto-estima de sua falta de realização pessoal e associam esta queixa a uma sensação angustiante de estancamento e esterilidade existencial. Este tipo de reação, bem como a insatisfação que experimentam, mesmo no meio de seus sucessos, impede-os de desenvolver cabalmente suas áreas de autêntico potencial ou de realizar as ações que poderiam contribuir para conferir verdadeiro sentido a suas vidas.

As metas que se devem alcançar na área da auto-realização exigem que o indivíduo se projete concretamente nas diversas áreas de interesse, aptidão ou compromisso que lhe possam ser significativas. Realizar-se-á assim em coisas tão grandes ou pequenas, e terá prazer de ir deixando impressa sua pegada nos caminhos da vida. 

Para consegui-lo é absolutamente necessário que as pessoas descubram tudo o que possa dar verdadeiro sentido a suas vidas, que desenvolvam suas aptidões, reais ou potenciais, e tracem metas de curto, médio ou longo prazo, que possam levar a sua plena realização pessoal ao longo da vida.

Jesus expôs com clareza, nesta linha de pensamento, a parábola dos talentos, insistindo em que cabia a cada um realizar ao máximo seu potencial, investindo seus dons e capacidades para multiplicá-los segundo a quantidade recebida (Mt 25,14-30). 

Narra-se na parábola que quem recebeu dez talentos soube gerar outros dez; e quem tinha cinco produziu outros cinco. Mas quem recebeu um só talento enterrou-o por medo de perdê-lo, sem nada ganhar de juros, e perdeu no fim até o pouco que tinha por ter ficado estéril sem razão que o justificasse. 

É evidente que Deus não se opõe à realização das pessoas naquelas áreas de potencial que lhes concebeu, enquanto souberem investir e subordinar seus talentos à vivência do amor. Porque somente no amor é que se alcança o pleno sentido da existência, e é também no amor que as pessoas podem projetar-se verdadeiramente conforme sua vocação específica para uma vida verdadeiramente frutuosa e transcendente.

A soma de todos esses elementos ou componentes associados da auto-estima pode, finalmente, caracterizar-se pela afirmação: “Eu estou bem!”.


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