A Natureza de Deus

A Natureza de Deus
Romanos 1.19,20 indica que a existência de Deus é algo que pode ser apreendido por todos através da revelação geral. Entretanto, para conhecermos a natureza divina, será mister voltarmo-nos à revelação especial que o próprio Deus nos proporciona. Em sua Palavra, Ele revela-se de variadas maneiras. Uma das maneiras mais empolgantes de o conhecermos é através de seus diversos nomes.

'El ( no hebraico,"Deus"), que se encontra no singular, ocorre cerca de 250 vezes na Bíblia, e enfatiza a idéia de força (Gn 14.18-22). Uma outra forma singular, 'Eloah, ocorre apenas no livro de jó, 42 vezes. Mas sua forma plural, 'Elohim, pode ser encontrada mais de 2.000 vezes no Antigo Testamento. Usualmente acha-se vinculada ao poder criativo de Deus, e
ao cuidado que Ele dispensa ao Universo e à humanidade. Além disso, implica na pluralidade existente no Supremo Ser (Gn 1.26; 3.22).

Yahweh é outra palavra hebraica. Em muitas versões da Bíblia, foi traduzida por "Senhor" (as consoantes do nome pessoal de Deus: YHWH, forma transliteradas para o latim novo como JHVH, e, combinando-as com os sinais vocálicos do substantivo hebraico "Senhor" deu origem a forma Jeová). Trata-se de um nome que manifesta a observância do pacto (Ml 2.5; 3.6). Esse nome ocorre cerca de 7.000 vezes no Antigo Testamento. Eis o seu significado: "Ele continuará [ativamente] a ser". Subentende que Deus mostrara que tip de Deus é Ele realmente. Ele o fará através de seus atos que se acham ligados à promessa que diz: "...Eu serei contigo"(Ex3.12).

Nomes especiais compostos com 'El e Yahweh, enfatizam a natureza de Deus e seu relacionamento com os vários pactos estabelecidos com o seu povo. 
Entre estes nomes, podemos citar: 
-'El Shaddai, "Deus Todo Poderoso" (Gn 17.1), derivado de uma raiz, shadu, que significa "montanha");
-'El Elyon, "Deus Altísssimo" (Gn 14.18);
-'El Ro'i, " O Deus que me vê" (Gn 16.13);
-'El 'Olam, " O Deus Eterno" (Gn 21.33);
-'El 'Elohe Ysra'el, "Deus, O Deus de israel"  realça a relação especial de Deus com Israel,(Gn 33.20);
-Yahaweh-ropheka, " O Senhor, teu médico [pessoal]" (Ex 15.26);
-Yahweh-nissi, "O Senhor minha bandeira" (Ex 17.15(;
-Yahweh-Shalom, "O Senhor é Paz" (Jz 6.24);
-Yahweh-ro'i, " O Senhor é meu Pastor" (Sl 23.1);

Existem, ainda, outros termos importantes que descrevem a natureza de Deus : 'Adonai (hebraico), Kurios (grego),"Senhor"; Attq Yomin (aramaico), "O Ancião de Dias", um titulo que se acha em conexão com os juízos divinos na administração dos reinos deste mundo (Dn 7.9,13,22); Qedosh Yisra'el (hebraico), "O Santo de Israel" ( usado vinte e nove vezes por Isaias); Tsur (hebraico), "Rocha"; 'Ab (hebraico); 'Abba, aramaico; Ho Pater (grego), " Pai" ou "Ó Pai" ( uma forma sw tratamento que demonstrava grande respeito nos tempos bíblicos); Melek (hebraico), "Rei" (Isaías 6.1,5); Go'el (hebraico), "Redentor"; Despotes (grego), "Senhor", "propietário"; , finalmente, Rishon Wa-'acharon (hebraico); no grego é Ho Protos Kai Ho Esxatos), "o Primeiro e o Último" (fala de seu governo sobre o curso da história, Is 44.6; 48.12; Ap 2.8).


Passando dos nomes e títulos de Deus usados nas Escrituras, e que falam de sua natureza, examinemos, de forma abreviada, alguns conceitos importantes acerca da natureza divina. Deus é, antes de tudo, infinito, nada o pode limitar. É maior do que o Universo; foi Ele quem o criou. Este é um quadro demasiado grande para que nossa mente finita o apreendam, mas é uma descrição imprescindível à nossa compreensão de Deus (I Rs 8.27). Intimamente relacionada a essa idéia acha-se o conceito da unidade divina - só existe um deus (Dt 6.5; Is 44.6,8).


Deus é, ao mesmo tempo, transcendental (acima, além e maior do que o universo que Ele criou) e imanente (presente e ativo nesse mesmo universo). Somente o ensino cristão sobre Deus une adequadamente ambos os conceitos. A transcendência preserva a distinção entre Deus e o universo. Ignorar tal distinção leva-nos a cair no panteísmo, onde Deus e o universo são irremediavelmente confundidos. A doutrina panteísta ensina que o universo, com suas forças e leis, é tudo quanto existe; e, ato contínuo, chama o universo de Deus, eliminando, assim, a possibilidade de um Deus pessoal.


A idéia da imanência divina, por sua vez, reconhece ser a presença de Deus no universo que Ele criou, sumamente necessária para preservar sua amorável relação com os seres que Ele também criou (Ex 8.22; At 17.24,25,27,28). Eis o que afirmou Paulo a este respeito: "...ainda que não está longe de cada um de nós" (At 17.27). Os que não reconhecem a presença divina, acabam por cair no deísmo, que, embora admita a existência de Deus, consider-o meramente como uma grande Primeira causa. É uma noção parecida com a do "fabricante de relógios" desinteressado: depois de haver criado o universo foi-se embora, e deixou o aparelho a funcionar por conta própria.


Deus também é imutável (não sucetível a mudanças) e eterno. A natureza divina não muda, jamais mudará (Ml 3.6). No Antigo Testamento, há duas palavras hebraicas, mui relevantes, para descrever a Deus:: chesed (amor fiel, permanente, cumpridor do pacto) e 'emeth (dependência, permanência, continuação, fidelidade, verdade). Deus é o 'Elohe 'emeth, " o Verdadeiro Deus" (II Cr 15.3). Ele será sempre fiel a si mesmo. Esses termos, que ocorrem repetidas vezes no salmo 89, demonstram vividamente que podemos depender inteiramente de Deus.


FONTE: Doutrinas Bíblicas - Uma perspectiva Pentecostal -(William W. Menzies/Stanley M. Horton)